Month: agosto 2015

Ainda somos ágeis?

Ou será que um dia já fomos? Eu tenho me pego com frequência pensando sobre isso. Sobre o que é ser ágil ou um agilista. Sobre os conflitos entre pessoas e grupos clamando ser mais ágeis que outros, determinando que tais e tais práticas são dignas de pertencer ao panteão da agilidade ou não. Isso me fez pensar se ainda estamos indo no caminho certo, se é que algum dia já estivemos.

Quem em conhece, sabe que eu sempre falo do manifesto. Não tem como eu não falar, especialmente quando é isso que resume também esse pensamento em ser ágil. Veja, talvez agilidade como um movimento, como algo organizado realmente tenha nascido ali. Mas o incomodo e diversas práticas que hoje chamamos de ágeis já existiam. O que aconteceu ali foi que rolou um grito de independência, um desabafo, aqueles programadores precisavam se manifestar (pegou a referência?) sobre as suas insatisfações, sobre o que lhes dava (ou daria) tesão de ir trabalhar. Ou seja nós, programadores, fizemos algo impressionante até então: afirmamos com todas as letras os valores que temos dentro de nós. E daquele dia em diante, nos sentimos mais ágeis.

Perceba que o manifesto é curto. Conciso e simples. Mas como ouvi esses dias, o demônio está nos detalhes. Simplicidade não é simplista. Tem muita coisa ali. Muita mesmo. Nem quero começar a debater os valores do manifesto, aquela balança que tem ali no meio. Quero chamar a sua atenção somente para o cabeçalho e pro rodapé, tão esquecidos e deixados de lado. O cabeçalho fala de que como somos nós quem realizamos o trabalho de desenvolver software, somos nós as pessoas mais indicadas para determinar melhorias e sugestões úteis nesse trabalho. Nossa, descobriu a pólvora, certo? Por incrível que pareça, sim. Sempre fomos uma categoria de profissionais otimistas, com um perfil de isolamento ou tribal, que não entendemos do negócio ou não nos preocupamos. Essa era a visão (que ainda persiste em diversos círculos) do profissional de desenvolvimento do software. Esse início foi necessário para determinar a nossa capacidade de enxergar além do nosso próprio trabalho, para mostrar como nos importamos com o resultado final e que queremos melhorar a maneira como fazemos as coisas. E então demonstramos nossos valores.

A parte legal sobre os valores é que a gente os colocou numa espécie de balança. Basicamente dissemos assim: entendemos que esses oito tópicos aqui são importantes, quem sabe até vitais para uma organização, mas desses oito, nós enxergamos mais valor nesses quatro aqui. E é por isso que o rodapé existe e não pode nunca ser ignorado. Sem o rodapé aquelas falácias tão famosas como que agilidade não planejamento, não tem documentação, é uma festa, só ganham mais força. É uma balança desiquilibrada de propósito, mas que os dois pratos têm seu peso. Temos documentos, mas só os que usamos. Temos planos, mas apenas para curto prazo, pois entendemos que mais que isso seria desperdício. Sem o rodapé isso se perde. Muito cuidado para não usar o manifesto incompleto.

O que eu quero falar com esse meu desabafo é que ser ágil é muito mais do que seguir um processo X ou Y. Os processos são muito úteis e nos ajudam a começar a melhorar as maneiras como fazemos as coisas, baseado nas dores de outros. Com o tempo, as suas dores virão e você tem que criar sua maneira de resolver. Afinal nós estamos descobrindo novas maneiras de fazer software todos os dias, fazendo-o nós mesmo e ajudando outros a fazê-lo. Evolua meu amigo e depois me conta como foi, pois esse é o espírito.