A culpa é sua!

É interessante como esse texto ficou em rascunho por quase um ano! Refleti muito antes de escrever algo que realmente fosse de valor para nós desenvolvedores.

Eu pensei quando estava escrevendo esse artigo em falar de modelos de arquitetura sustentáveis, que funcionam mesmo. Aqueles que ajudam empresas, equipes e clientes a ter uma boa entrega de valor. Mas achei que isso seria irrelevante.

Também pensei em falar sobre alguns patterns e sua importância, como isso ajuda a se focar somente naquilo que ainda não tem solução. Os problemas conhecidos já têm uma solução proposta e basta aplicar. Embora isso seja mega importante, acho que é um assunto já bem batido e tem pessoas extremamente mais bem qualificadas para falar sobre o assunto.

Eu poderia continuar falando aqui das ideias que me passaram pela cabeça quando estava pensando nesse post mas vou direto ao ponto. Você! Você é o elemento que faz a diferença no desenvolvimento de software. Não adianta você ser excelente tecnicamente e não ser um ser humano legal. Parece papo de psicólogo (nada contra psicólogos, adoro vocês) ou ainda de livro de auto-ajuda (tá, esses eu não gosto mesmo, diferente dos psicólogos) mas é o ponto central de fazer software de qualidade.

Quando escreveram o tão citado manifesto, colocaram como valor primário “indivíduos e interações entre eles”. De novo, não é porque isso é bonito ou todos os caras que assinaram eram “paz e amor”. Não! Eles só perceberam que não é meu empregador que vai usar o software, não é a empresa cliente que vai usar o software, não é o departamento de suporte que vai usar o software. É a Maria, mãe de uma filha pequena, sem marido; aquela analista de suporte que precisa preencher rapidamente (e sem erros) uma chamado para o Jorge, funcionário público, de meia idade e pouco entende de software ou informática em geral, aquele cliente dela que está com problemas e precisa da ajuda da empresa na qual a Maria trabalha. Sacou a diferença? São pessoas! Seres humanos! Da sua própria espécie! Gente como eu ou você!

E por favor, não coloque a culpa na sua empresa ou no “sistema”. Sim, entendo o que o sistema quer dizer e o quanto ele influencia no comportamento das pessoas. Mas se o sistema te obriga a agir contra seus princípios e valores, o que você está fazendo aí? Busque um novo sistema ou crie o seu próprio! Médicos não pedem se podem lavar suas mãos antes de um procedimento, faz parte da sua profissão. Sua profissão supera o que o sistema lhes impor. Por que desenvolver software seria diferente?

Sim, amiguinhas e amiguinhos, quando falamos que as pessoas são mais importantes que tudo, é sério. Em última instância, estamos escrevendo software para as pessoas. Se você coloca isso na cabeça e começa a se importar com elas, dar um nome para elas, pensar em quais problemas delas você está resolvendo eu duvido que a solução que você está desenvolvendo agora não sairá de qualidade. Ou no mínimo muito mais preocupada com aquilo que a Maria e o Jorge precisam.

Posted on: 27 de novembro de 2015, by : juliano

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