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Talentos

Um dia desses, estava trabalhando em código complicado, difícil mesmo. Levei alguns dias para resolver o problema, envolvia coisas que eu ainda não conhecia, paradigmas “novos”, ao menos para mim e outras coisas que me ferveram a cabeça. Quando conclui o trabalho, todo orgulhoso do meu feito, fui comentar com meus entes sobre o “feito” e ouvi a seguinte resposta:

Graças a Deus, que resolveu esse problema para você.

Juro que me senti mal com a resposta. Afinal senti meu esforço reduzido a nada. Bastava que eu me sentasse, que uma divindade superior veria a minha dificuldade e solucionaria para mim o problema como mágica. Realmente me desagradei com aquilo, pois senti que o mérito daquilo tudo deixou de ser meu e passou a ser de alguém com quem eu não posso competir.

Nesse momento, me lembrei da parábola dos talentos, descrita no evangelho de São Mateus. Nela, um patrão vai viajar (imagino eu ser por um longo período) e deixa para seus três criados uma certa quantidade de talentos (que também suponho ser algo como a moeda da época). Ao retornar dois, que receberam mais talentos, os souberam multiplicar. O que recebeu menos, por achar pouco, escondeu e manteve a quantidade que tinha.

E com essas palavras me confortei. Afinal, eu tinha a minha parcela de mérito sim. Por mais que eu tivesse habilidades com as quais eu nasci, dadas por qualquer força superior, eu as desenvolvi, eu busquei ser melhor naquilo que faço e nessa semana resolvi um problema muito difícil, com os talentos que eu multipliquei.

Acredito ser esse o caminho da vida: evoluir. Jamais ficar parado. Se algo caiu do céu, já foi, já aconteceu, agora está na hora de correr atrás e multiplicar, crescer, evoluir. Por mais que se conheça o seu trabalho, mude, saia da zona de conforto. No meu contexto, aprenda uma nova linguagem, um novo paradigma, uma nova tecnologia. Isso pode nem ser imediatamente aproveitável, mas com certeza o tornará melhor naquilo que é seu foco.

Sou cristão católico, talvez por isso essas palavras pareçam um pouco carregadas de fé. Mas independente de sua crença, aceite uma verdade: você tem talentos (independente de onde vieram) e cabe a você, somente a você decidir o que será feito deles, enterrar ou multiplicar.

O que você escolhe?