Engajamento nas retrospectivas

Um dos princípios por detrás do manifesto ágil é que, de tempos em tempos, o time deve parar o trabalho e pensar em maneiras melhores de fazê-lo. Alguns traduziram isso como melhoria contínua, outros pela palavra japonesa Kaizen. Eu particularmente chamo isso de ser inteligente e não simplesmente sair correndo fazendo. Porém, nem sempre isso fica claro para o time. Inúmeras vezes já nos deparamos com um ou mais membros do time que não querem participar da retrospectiva, que querem apenas voltar ao trabalho e poder chegar ao final do seu dia sem ser importunado. Nesses casos como fazemos?

Nas primeiras sessões de um coach dentro de um time novo é bem comum perceber alguns padrões, aqueles mais falantes, os mais calados, aqueles que não estão nem aí e por aí vai. Interessante que esses esteriótipos ficam até mais evidentes quando a retrospectiva é remota, o foco da camera diretamente na face da pessoa ajuda a ter uma visão at a glance do time todo e ler as suas expressões muito rapidamente.

Eu costumo usar o modelo cunhado pelas autoras Lisa Crispim e Esther Derby no excelente livro que elas escreveram tempos atrás mas que ainda é muito válido. Eu já escrevi sobre isso num outro post (link aqui). O ponto é que por mais que as técnicas ali apresentadas ajudem nessas interações, elas ainda não resolvem a questões do desmotivado. Nesses casos, seguem algumas dicas minhas que já funcionaram.

Faça o tracking das tarefas: durante as retrospectivas, por ser um timebox curto, fica fácil ser disciplinado e manter o time na estrutura e se engajando. O problema está no depois, no tempo entre uma retrospectiva e outra. É bem comum o time ficar “dormente” para as ações de melhoria entre as reuniões, por isso é tão importante o papel do coach nesse meio, para lembrar de maneira amigável que melhorias também são parte do trabalho.

Explique as regras na largada: Embora essa esteja no framework da reunião, muitos se esquecem de fazer isso valer de verdade. Se o time precisar fazer a retrospectiva remota e nos work agreements estiver descrito que para que a reunião aconteça bem a câmera deve estar ligada, é importante parar e perguntar caso alguém não esteja se o resto do grupo se sente confortável com isso. Se o time estiver, troque de OBRIGATÓRIO para RECOMENDADO e bola para frente. O importante é mostrar que a reunião é séria e que se existe uma acordo esse deve ser cumprido.

Foque nos problemas dos problemáticos: Uma boa estratégia de ganhar os problemáticos é lhes dar voz. Mesmo os mais turrões costumam se render quando percebem que estão tendo os problemas que levantaram endereçados. De maneira alguma estou dizendo para deixar de lado os problemas trazidos pelos demais, mas quando for passar pela leitura da cartela proposta pelo resistente, dê enfase e demonstre empatia, o quanto você acha importante o problema trazido.

Mostre o resultado prático das ações: Já enfrentei casos nos quais o indivíduo se torna resistente porque acha que a retrospectiva é uma perda de tempo, que não tem resultados práticos que lhe sejam úteis no dia-à-dia. Para esses casos é importante mostrar quais os problemas foram endereçados entre uma retrospectiva e outra, mas não apenas isso. O pulo do gato aqui é um pouco desafiador, transformar isso em números irrefutáveis! Sentimentos podem ser contestados. “Eu acho que o código está mais estável” é um argumento fraco embora, “o código está mais estável, pois podemos ver que o CI está quebrando 30% menos desde que a mudança foi feita” é um fato observado.

Eu espero que essas dicas ajudem. Obviamente eu poderia crescer essa lista bem mais, mas se você resolver esses problemas, me avisa que podemos pensar juntos em novas soluções.

Posted on: 1 de Maio de 2018, by :

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *