O dia em que viajei com o Leandro Karnal

Hoje, estava voltando de Porto Alegre, de mais um evento fantástico de TI (The Developer’s Conference) e no aeroporto, vindo para o mesmo vôo que eu para São Paulo estava o filósofo Leandro Karnal. Eu o vi no saguão do aeroporto, ali bem próximo de mim e meu primeiro impulso foi de ir até ele e tirar uma selfie juntos. Mas aí me ocorreu, qual era o objetivo de tirar essa foto? Sim, admiro muito a visão de mundo que ele possui, acompanho seus vídeos, mas porque ele deveria dar atenção a esse careca barbudo para uma foto? Em que a foto me melhoraria ou a ele? Finalmente percebi que era a mais pura vaidade de minha parte e o deixei em paz por lá.

Mas ainda me sentia um pouco inquieto, querendo sei lá, puxar um assunto, conversar sobre qualquer coisa do cotidiano e de novo pensei no objetivo daquilo, que talvez ele estivesse cansado e além do que não seria um ganha-ganha, duvido que eu acrescentaria a ele algo além de uns minutos de aborrecimento. De novo percebi a vaidade e pensei comigo que bastava que eu contasse isso para alguém, eu não preciso de uma prova material e de novo o deixei em paz.

Formamos as filas, vôo ligeiramente atrasado, todos um tanto quanto impacientes. Devido ao excesso de viagens desse ano subi rápido para aquela categoria que dá algumas vantagenzinhas, tipo, pegar a fila prioritária depois das prioridades legais. E foi aí que eu vi algo divertido ou ao menos curioso. Quase todo o vôo que eu pego têm um ou mais malandrinhos que, ao invés de formar a fila como todo mundo, se posicionam no final ou até mesmo no meio das prioridades legais. Se isso é certo ou não deixo para o seu julgamento, mas na minha opinião é no mínimo injusto com aqueles que chegaram cedo e seguiram o procedimento estabelecido. A atendente no balcão, observando que nós da próxima fila estávamos incomodados com a cara de pau daqueles jovens, os barrou na entrada do avião e voltou para explicar aos demais que aquela fila se destinava apenas a prioridades legais. Os jovens voltaram para a mesma fila e o Karnal brincou um pouco com os jovens, dizendo que gostaria de chegar aos 60 com aquela aparência. Brincadeiras, sorrisos e finalmente chamam a minha fila. Quando começamos a nos movimentar claramente os jovens pensaram em dar alguns passinhos à frente, como quem não quer nada, para se posicionar de novo no começo da fila e ganhar uma vantagem mínima sabe Deus para que. E de novo eu vi o Karnal olhar para eles e a pessoa mais à frente responder:

“é… agora a gente tem que esperar essa fila andar e entrar no final dela…”

Senti minha alma renovada nesse instante.

Moral da história? Quando você prega a ética, fala sobre como o mundo seria um lugar melhor se as pessoas agissem pensando não apenas em tomar vantagem para si mesmas, você cria uma ilha em sua volta de pessoas que pensam e agem dessa maneira, mesmo numa situação temporária e até mesmo corriqueira como essa. Nunca a frase “seja a mudança que você quer no mundo” me fez tanto sentido. Valeu Karnal, se já aprendi muito com seus vídeos na internet, aprendi um pouco mais hoje, mesmo sem termos trocado nenhuma palavra.

Abraços desse seu anônimo amigo.

Posted on: 11 de novembro de 2017, by :

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