Quem lembra de acessibilidade?

Anos atrás eu estava em um evento sobre Design para Web (sim, eu já fiz de tudo um pouco) e assistindo um dos renomados palestrantes que lá falavam. No momento das perguntas alguém questionou se a acessibilidade começaria a então entrar firme no desenvolvimento de sites. O exemplo do palestrante foi fantástico:

O buffet hoje servido no café estava excelente, cheio de petiscos e doces deliciosos. O problema é que eu não podia comer. Sou diabético. E muito provavelmente não havia nenhum diabético no buffet, pois isso não foi uma preocupação para aqueles que fizeram o buffet. Não que as pessoas que escolheram o cardápio sejam pessoas ruins, apenas não se deram conta de que haviam pessoas com necessidades especiais, provavelmente por nunca ter experimentado isso. As pessoas se tocam das necessidades dos outros quando sentem compaixão ou na própria pele essas necessidades.

Esse palestrante, do alto de sua sabedoria não poderia estar mais certo. Eu já me preocupava com questões desse tipo nos eventos que organizo pelos anos em que vivi com minha avó, que tinha algumas dificuldades de locomoção. Mas era algo superficial, não era uma preocupação forte, mas algo que se houvesse como, faria algo para melhorar a vida desses caras. Porém, esse ano tive uma experiência mais profunda.

No começo do ano, tive uma torção média no pé, repetindo a mesma torção (igualzinha, sem tirar nem por) meses depois, dessa vez com bastante seriedade. Por essa razão andei de muletas por várias semanas, seguidas de outras tantas com bengala. Só então pude perceber detalhes, que antes passavam desapercebidos. Notei o quanto é difícil para alguém com dificuldades de locomoção uma calçada irregular. O quanto é difícil descer de degraus fora do padrão. Entre outras coisinhas que fui aprendendo pelo caminho.

Se você está pensando “o que eu tenho a ver com isso?” ou ainda “ótimo para você parceiro, mas em que isso muda a minha vida?” eu posso ajudar a esclarecer. Sendo você desenvolvedor (e aqui eu abranjo todos que desenvolvem uma solução para um cliente, independente de programadores, testers, analistas…) passa os seus dias dentro de um escritório recebendo papéis e devolvendo soluções, você está fazendo isso errado. Você precisa viver a vida do seu cliente! Você precisa conhecer as suas dores de perto, ver os problemas acontecendo, sentir onde o calo aperta no sapato para saber como corrigir. Só assim você vai ter uma visão plena e realista daquilo que realmente resolve os problemas do seu cliente.

Para ficar mais claro ainda, deixo um pequeno bom exemplo, onde o pessoal levou isso ao extremo, vivendo as dores e pensando em soluções para isso.

Posted on: 1 de novembro de 2016, by :

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