criatividade

Sobre martelos e pregos

Era uma vez um menino que fazia brinquedos, assim como eu ou você em nossa tenra infância. Sua ferramenta era a criatividade. Apenas ela.

Com ela, papel virava avião, galho virava varinha de condão e o mundo ficava mais divertido aos seus olhos. Digo aos seus olhos, pois qualquer adulto não entenderia a relação existente entre os objetos do mundo real e o imaginário daquele menino. Seu mundo não tinha limites. Sua capacidade de criar era infindável.

Um dia, seu pai resolveu que era hora de aumentar a sua caixa de ferramentas, até então só composta de imaginação, presenteando com um martelo velho que já não se usava mais.

A partir daí, seu mundo se abriu. Novos brinquedos surgiram, como pequenos robôs com retalhos de madeira, carrinhos com restos de rolamentos inúteis e por aí foi. Os brinquedos mais simples, como o papel e a varinha perderam a graça e seu gosto foi se afunilando por brinquedos mais elaborados, feitos com seu habilidoso martelo que ganhara de presente.
Conforme o tempo passou, outras ferramentas se somaram e com cada uma o menino descobria novas possibilidades.

Percebia que para criar carros melhores, precisava serrar aqueles retalhos de madeira e então veio o serrote. Percebeu que para que os movimentos de seu robô ficassem mais precisos, seriam necessários articulações parafusadas. Ao seu arsenal enfim se somavam então furadeira, parafuso e chaves de fenda.

Assim o menino cresceu feliz e se tornou um adulto versátil. Pois aprendeu que ter a ferramenta adequada para determinada situação é sempre o certo a se fazer.

Ok, o que quero dizer com essa história? Simples. Não é porque você aprendeu que existe o martelo, que tudo daqui para frente é prego. Não é por que você aprendeu sobre Java, que essa linguagem se aplica a todo projeto, não é porque você aprendeu Kanban, que o Scrum ficou ultrapassado ou ruim. Toda a ferramenta tem o seu valor e sua correta aplicação. Aprenda a usar todas e você saberá o momento certo de aplicar cada uma delas.