Vamos falar de negócios!

Modern mature businessman smiling and looking at camera with his colleagues in the background at office

Um ponto bastante observado em diversos trabalhos que realizei por aí é a incapacidade da equipe técnica de perceber o seu trabalho como parte de um negócio. É intrigante ver esses desenvolvedores (e aqui incluímos todos os papéis que desenvolvem um produto, não apenas os programadores) buscando a pureza técnica, o estado da arte daquilo que estão fazendo no seu dia a dia. Essa busca do trabalho pelo trabalho leva a um perfeccionismo negativo, conduzindo seu artista a pensar que sua obra jamais estará acabada.

Por outro lado também temos times que não estão comprometidos com nada, apenas com as atividades para si alocadas. Tais times (ou membros em cenários melhores) se enxergam apenas como parte de uma engrenagem maior, como parte de uma linha de produção cujo o seu papel é transformar análise em código. Eles apenas trabalham ali e antes que você os amaldiçoe, lembre que tem um desse cara dentro de você, algumas vezes por dia.

Tanto no primeiro como no segundo cenário o resultado é o mesmo: desenvolvimento desconectado do negócio, trabalho sem um propósito claro. Tudo o mais que falo aqui é sobre isso, entender o quanto o time compreende do seu lugar no mundo e se realmente compreende o propósito daquilo que estão desenvolvendo.

Usualmente quando esse é o ponto mais fraco da uma avaliação, uso técnicas que aproximam cliente do desenvolvedor, buscando diminuir a quantidade de telefones sem fio no meio do caminho. Quanto mais pontos houver, pior a comunicação como a própria brincadeira homônima ensina. O que a brincadeira não passa é que a relevância de qual problema o time está resolvendo diminui inversamente proporcional ao aumento dessa cadeia. A causa é a despersonalização do usuário. Até o termo “usuário” é ruim. Usando personas e escrevendo os requisitos como histórias de usuário ajudam a reconectar o desenvolvedor ao negócio e consequentemente ao usuário final.

O que estou tentando explicar é que na maioria dos casos que vi, o problema não era primariamente do método escolhido. Os times eram bons em desenvolver software. O software errado, mas eram bons. Não adianta você ser o Usain Bolt e correr pro lado errado da pista. É preciso aceitar que não se conhece o software que resolve o problema do usuário e você só vai descobrir isso criando esse software. Em resumo, traga para a mesma mesa desenvolvedores e usuários finais e aproxime essa conversa tanto quanto possível. Os resultados são mágicos e você só tem a ganhar.

Posted on: 20 de Fevereiro de 2017, by :

1 thought on “Vamos falar de negócios!

  1. Parabéns pelo artigo, Juliano.
    Muito bacana.

    Acho que falta para as pessoas o protagonismo, pois estão muito acomodadas, e vivem em um mundo fechado.
    Então, essas pessoas fogem da responsabilidade, e ainda não sendo proativas.
    Desse jeito, elas não vão mesmo se comprometer com o negócio. Por que o fariam?

    Cabe ao líder identificar as dificuldades de seu time: até aonde eles compreendem o propósito do negócio.
    Direcionar a sua equipe para entender a importância do negócio para a organização e para cada um deles.
    Além disso, fazer com que seus liderados tenham o espírito de dono, e que todos junto estão tentando descobrir como resolver os problemas das pessoas.
    Com isso, vão gerar valor e muitos benefícios.
    Todos ganham nessa história.

    Acredito que tendo essa linha de pensamento, é sucesso na certa!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *